quarta-feira, abril 18

A pluma, em forma de dedos,
acenando ao longe.
Sacude a o pó da conversa.

Não pára num sorriso.
Sem caimbras na boca,
um suspiro, sequer.

O teu arrastar de pés,
incómodo.
Um corpo preso a carrilhões.
Toneladas.

Querias passar mais depressa.
Escondido pelas árvores tímidas.
As pontas dos dedos geladas,
um novo aceno.
Fugidio.

Ver-te não foi mais
do que um susto fugaz.

Ana Sashi

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Sono

O meu sono é comatoso,senil.
Um sonho borbulhante,
enfermo,
quase febril.

Desperto.
A minha vida perdeu-se
ao virar da esquina.
Um odor a espuma,
numa tarde de Abril.


Presa ao braço da existência. Pendem memórias para o mar
Recordações do meu baloiço de menina.
Casa em ruina, um esqueleto, só.

Criança corre, corre. Bate com as palmas na areia,

mergulha nesses castelos, nas vagas.

Corre até ao Forte, antigo cativeiro de sonhos.







"A vida dos pobres é sempre uma cadeira sem almofada" Ana Sashi

आ विदा डॉस पोब्रेस ए सेम्प्रे उमा काडिरा सेम अल्मोफदा" आना सशी

Escárnio

Vós, senhores,
tendes feudos conquistados com garras de leão,
com palmadinhas nas costas,
nos casacos mais ilustres.
Na altivez da vossa ignorância
moveis sois, luas
e também os vossos empregados
quando estes pensam sózinhos.

Para vós o canudo serve sómente
para extrair bebidas brilhantes dos copos.
Saciai a vossa sede com o suco do conhecimento.
Aliviai a fome com aqueles que dependem.

Nesse ninho de ratos, sois senhores.
Sabeis menos do que todas as alminhas em vosso redor,
mas sois quem manda.

Vossos rabos confortáveis em cadeirões de seda.
Olhar iluminado por faíscas de poder.
Ah, o sabor do poder!
Sapiente o vosso dedo, apontando quem trabalha.
Tra-ba-quê?
Vosso destino já escrito nas linhas da certidão.


De onde vos brota tanta genorreia?

O apelido ilustre roda a maçaneta,
abre a porta
e estende a passadeira.

Berço rendilhado, o vosso,
ou leito adornado, o de outro.
Num dos dois vos deitaste.
E agora, com imperial poder sobre o ninho de ratos,
vós, leão segurando a bandeira.
Magnifico. Desconhecendo todo o império.

Subir na vida como um foguete,
pela mão de outros.
Nada saber dos ratos,
mas ter hálito a parmesão.

Queria dizer-vos, cá de baixo, o quanto me enojais.
Mas o vosso estatuto é imune
a traumas estomacais.
Vossa palavra vale menos que dinar na China.
Cultura, em geral, não há.
Indelicadeza subversiva,
imbecilidade q.b.

Ah!
Agora sóis vós agraciados nas costas por mãozinhas de lã,
sedentas de oportunidades.
Saltitais de favor em favor,
nenúfar em nenúfar.
Garras de rei, instintos de roedor.

Vossas botas brilham com a saliva
dos subordinados.
Piam baixinho, à volta
cantam como galos outros que tais.
Bocas em barco,
ao ver passar os ilustres fatos lustrosos.
As vossas ideias não são lâmpadas,mas lustres inteiros.

Aplaudem de pé,
os que por baixo de vós se deitam.

Ana Sashi

terça-feira, abril 17

O dia escorre pela mão do rio

ओ डा एस्कोर्रे पला मो दो रियो