tendes feudos conquistados com garras de leão,
com palmadinhas nas costas,
nos casacos mais ilustres.
Na altivez da vossa ignorância
moveis sois, luas
e também os vossos empregados
quando estes pensam sózinhos.
Para vós o canudo serve sómente
para extrair bebidas brilhantes dos copos.
Saciai a vossa sede com o suco do conhecimento.
Aliviai a fome com aqueles que dependem.
Nesse ninho de ratos, sois senhores.
Sabeis menos do que todas as alminhas em vosso redor,
mas sois quem manda.
Vossos rabos confortáveis em cadeirões de seda.
Olhar iluminado por faíscas de poder.
Ah, o sabor do poder!
Sapiente o vosso dedo, apontando quem trabalha.
Tra-ba-quê?
Vosso destino já escrito nas linhas da certidão.
De onde vos brota tanta genorreia?
O apelido ilustre roda a maçaneta,
abre a porta
e estende a passadeira.
Berço rendilhado, o vosso,
ou leito adornado, o de outro.
Num dos dois vos deitaste.
E agora, com imperial poder sobre o ninho de ratos,
vós, leão segurando a bandeira.
Magnifico. Desconhecendo todo o império.
Subir na vida como um foguete,
pela mão de outros.
Nada saber dos ratos,
mas ter hálito a parmesão.
Queria dizer-vos, cá de baixo, o quanto me enojais.
Mas o vosso estatuto é imune
a traumas estomacais.
Vossa palavra vale menos que dinar na China.
Cultura, em geral, não há.
Indelicadeza subversiva,
imbecilidade q.b.
Ah!
Agora sóis vós agraciados nas costas por mãozinhas de lã,
sedentas de oportunidades.
Saltitais de favor em favor,
nenúfar em nenúfar.
Garras de rei, instintos de roedor.
Vossas botas brilham com a saliva
dos subordinados.
Piam baixinho, à volta
cantam como galos outros que tais.
Bocas em barco,
ao ver passar os ilustres fatos lustrosos.
As vossas ideias não são lâmpadas,mas lustres inteiros.
Aplaudem de pé,
os que por baixo de vós se deitam.
Ana Sashi