Um bilhete para a estação do passado.
Fafe comemora, esta tarde, o centenário da chegada do comboio ao município. Foi a 21 de Julho, no distante ano de 1907 que as locomotivas "Negrellos" nº 2 e "Porto" nº 5 fizeram pela primeira vez o trajecto de Guimarães a Fafe. Desses tempos, resistem ainda marcas no traçado da vila e muitas recordações de viagens. Mas o fumo das caldeiras há muito que desapareceu.
A actual avenida 5 de Outubro ainda lá está, apontando aos visitantes o caminho para a estação terminal. Lá ao fundo, sente-se, agora, a ausência dos ruídos dos comboios de outros tempos, a chegar e a partir para longe. É que apesar das comemorações deste centenário, do comboio em Fafe restam apenas as histórias e recordações dos mais velhos, bem como algumas estruturas que mostram, aos mais novos, o aspecto das locomotivas que por lá passaram outrora.
Desactivada em 31 de Maio de 1986 por razões de viabilidade económica, a linha foi entretanto reconvertida, há onze anos, numa Pista de Cicloturismo mantendo a ligação ao concelho vizinho de Guimarães. A antiga estação é hoje ocupada pela Indáqua Fafe e o seu logradouro era, até há bem pouco tempo, utilizado como depósito de “entulho” da Câmara Municipal.
Hoje, as memórias do comboio serão reavivadas numa cerimónia que começará às 15 horas na Estação de Cepães (Fafe) com uma visita ao local de instalação de uma carruagem, e depois da sessão solene comemorativa nos Paços do Concelho, será apresentada uma medalha evocativa da efeméride.
Mais tarde, será ainda apresentada uma obra de José Emídio Martins Lopes intitulada "Apontamentos sobre o Centenário da chegada do comboio a Fafe". Nesta obra, o autor compilou alguns episódios recolhidos junto de testemunhos que marcaram a complicada construção da linha, que durante muitas décadas foi a principal ligação de Fafe ao Porto.
Por essa altura, já os carris começavam timidamente a fazer parte da paisagem de Portugal, já que a 28 de Outubro de 1856, o Caminho de Ferro público português inaugurava a sua primeira viagem. Já lá vão 151 anos.
Museu nas Antigas Oficinas de Guimarães
Para quem quiser aproveitar o fim-de-semana para saber mais acerca dos caminhos de ferro em Portugal, o Museu Ferroviário é, a Norte, o sítio mais indicado. Localizado junto à estação de Lousado -entroncamento das Linhas do Minho e de Guimarães - recentemente renovado, o espaço deixa entrever um novo e motivante discurso museográfico feito a partir de recordações.
No museu, o visitante poderá encontrar peças e elementos representativos não só do ambiente de trabalho oficinal - a carpintaria, caldeiras, tornos e compressores - como também de outros espaços ferroviários: a estação - bilheteira; sala de despachos - a Passagem de Nível - vigiada por uma zelosa Guarda trajada com a indumentária da década de 40 - as antigas mesas de sinalização de Lousado e de Ermesinde.
Autêntico memorial aos 200 trabalhadores que ali trabalhavam na década de 70, o museu alberga ainda uma carruagem com leito em madeira construída em 1874 e que fora posteriormente transformada em Posto Médico para os funcionários do caminho de ferro e suas famílias.
Velocidade, barulho, cheiro de nafta, óleo e de resina fazem deste espaço. É uma assumida homenagem aos ferroviários mas também àqueles que viajaram nestes Comboios e que em seu redor construíram a sua própria identidade.
terça-feira, julho 24
terça-feira, junho 26
terça-feira, maio 22
Sócrates despede quem conta anedotas
Um membro da DREN foi afastado da Direcção depois de ter, alegadamente, proferido um comentário jocoso acerca da licenciatura de José Sócrates, durante o expediente, a uma colega de escritório. O homem foi afastado do cargo que ocupava desde os anos 80, pura e simplesmente, porque ousou fazer o que meio país tem feito ultimamente: duvidar e brincar com a embrulhada que é a suposta licenciatura do Primeiro Ministro. Meio país devia ser afastado dos cargos públicos. Meio país, incluindo um Ministro "inscrito na Ordem dos Engenheiros" deveria abandonar de vez este Portugal onde subsistem resquícios de Salazarismo mal curado.
Mas ainda alguém acredita que Sócrates concluiu a licenciatura na Independente de forma igual à dos outros estudantes anónimos? Espanta-me, no entanto, que não tenham já corrido com os bonecos do Contra e quatro gatos mal lavados que, nas noites da estação de televisão pública, se (e nos) divertem com os episódios da licenciatura.
Fernando Charrua teceu, em Abril, dentro de portas o dito comentário que lhe abriu a porta da rua. O caso chega agora aos jornais, blogues e à televisão. Todos sabem, mas ninguém admite a Censura. Censura, não falta de sentido de humor. Censura, não coincidência no timing da demissão, como garante o Ministério da Educação.
Será que Sócrates vai também mandar cancelar este Blog? Ficamos à espera.
Mas ainda alguém acredita que Sócrates concluiu a licenciatura na Independente de forma igual à dos outros estudantes anónimos? Espanta-me, no entanto, que não tenham já corrido com os bonecos do Contra e quatro gatos mal lavados que, nas noites da estação de televisão pública, se (e nos) divertem com os episódios da licenciatura.
Fernando Charrua teceu, em Abril, dentro de portas o dito comentário que lhe abriu a porta da rua. O caso chega agora aos jornais, blogues e à televisão. Todos sabem, mas ninguém admite a Censura. Censura, não falta de sentido de humor. Censura, não coincidência no timing da demissão, como garante o Ministério da Educação.
Será que Sócrates vai também mandar cancelar este Blog? Ficamos à espera.
segunda-feira, maio 21
Não deixar para amanhã
Uma semana. Foi o tempo que durou uma decisão. Todas as noites dormia aqui mesmo ao lado, nos fundos do prédio. Pedia, com o olhar, para o deixarem entrar. Cheirava o rasto dos dias, com ar cansado. Erguia-se ao ouvir o som da porta, abrindo e fechado a cada cinco minutos. Ele permanecia do lado de fora. Sempre a olhar, com o nariz colado ao vidro. Erguia-se para voltar a enrolar-se no chão. Leváva-lhe comida, àgua, mas a decisão nunca mais chegava.
Houve um dia em que lhe comprei uma coleira cor de avelã, a cor que o revestia da ponta da cauda à ponta do focinho. Parecia mais tranquilo, como se os cães não pudessem ser tranquilos, votados a coisas de gente! Mas ele era como gente em forma de abandono. Cheguei tarde, algumas vezes, durante a semana. Estendido como um tapete impedia a passagem, como se para alcançarmos a porta tivessemos de enfrentar a sua presença, primeiro. Era só mais uma noite naquele lugar. Amanhã seria o companheiro de todas as horas. Bolota. Chamar-se-ia Bolota em homenagem ao tom castanho uniforme do pêlo.
Mas, na manhã seguinte só restavam vestígios da sua passagem. Nunca mais estaria lá. Sempre que chego a casa, agora, olho para trás ao fechar a porta. Não fosse ele estar novamente com o nariz colado ao vidro. Não fosse ele querer entrar.
Houve um dia em que lhe comprei uma coleira cor de avelã, a cor que o revestia da ponta da cauda à ponta do focinho. Parecia mais tranquilo, como se os cães não pudessem ser tranquilos, votados a coisas de gente! Mas ele era como gente em forma de abandono. Cheguei tarde, algumas vezes, durante a semana. Estendido como um tapete impedia a passagem, como se para alcançarmos a porta tivessemos de enfrentar a sua presença, primeiro. Era só mais uma noite naquele lugar. Amanhã seria o companheiro de todas as horas. Bolota. Chamar-se-ia Bolota em homenagem ao tom castanho uniforme do pêlo.
Mas, na manhã seguinte só restavam vestígios da sua passagem. Nunca mais estaria lá. Sempre que chego a casa, agora, olho para trás ao fechar a porta. Não fosse ele estar novamente com o nariz colado ao vidro. Não fosse ele querer entrar.
sexta-feira, maio 11
Alguém viu este ovo?
Mas será que alguém compreende o retrato-robot elaborado pela Polícia Judiciária, do presumível raptor da criança Inglesa desaparecida no Algarve? Será possível que, após uma semana de buscas e recuos, a PJ nos brinde com uma imagem desenhada no Paint, semelhante a um desenho de criança e nos tente fazer acreditar que procura aquele homem? Na verdade, será mais um ovo com cabelo. E como se sabe, o cabelo é o elemento mais facilmente modificável num rosto. Uma cara com forma oval é a única pista para identificar o possível raptor: sem boca, sem olhos, sobrancelhas, nariz ou orelhas. À parte as justas críticas das mães de crianças portuguesas desaparecidas nos meandros da lei e o mediatismo aceso à volta do caso McCann, parece certo estarmos perante um crime. E, como tal, deve ser investigado. Não se compreende, por isso, que as autoridades percam minutos preciosos na elaboração de um retrato, que tem tanto de enigmático como de hilariante. Se até agora a imprensa Inglesa estava com os olhos postos nas possíveis falhas da actuação da Polícia, agora já poderá aliviar a tensão com uma gargalhada sonora. Ana Sashi
Subscrever:
Mensagens (Atom)
