Os óculos escorregam até ao nariz. Ele abre um olho. Cinco mil fios negros colados a outros tantos. A visão, turva, mostra-lhe o ecrã pálido. Letras e palavras dispersas, reúnem-se rapidamente diante de si, como um bailado de pequenas crianças vestidas de negro. Os dedos sonolentos reagem, por fim. A resposta ainda não chegou. As respostas nunca chegam no momento em que mais precisamos delas. E depois, a vida anda aos solavancos, batendo nas esquinas dos sonhos. Sim, quem detém as respostas deve-se achar melhor do que os outros. Mas não é. Dispõe apenas dos caprichos do tempo. O instante que hoje é largo, lento, e amanhã esborrachado na urgência daquilo a que se chama pressa.
Todos os fragmentos da sua vida estão ali suspensos, quase todos mal lapidados. Há uma certa e indeterminada sequência de um código binário que deverá ser organizada. Entrará, não tarda, como um exército no coração do seu computador. Depois será visível perante o olhar ansioso dele. No ecrã.
O indicador puxa as lentes pesadas até ao topo do nariz adunco. Se as pálpebras se voltarem a beijar, não haverá azar. As respostas chegam sempre a quem espera.